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4 de abril de 2017 às 00:00

“A Força do Querer” tem estreia promissora, mas não impressiona

“A Força do Querer” tem estreia promissora, mas não impressiona

Depois de tantas decepções em sequência no horário nobre, obras que muito prometiam e pouco cumpriram, o público brasileiro encontra-se mais ávido que nunca por um “novelão daqueles”, que traga de volta um pouco dos tempos áureos da principal faixa de dramaturgia da Globo. É nesse contexto delicado e cheio de armadilhas que a consagrada novelista Glória Perez estreou, nesta segunda (3), sua mais nova criação – e, sobretudo levando em conta esse histórico tão sombrio, A Força do Querer cresceu a olhos vistos diante da audiência.

O primeiro episódio do novo folhetim fez bonito em diversos aspectos, do roteiro bem pontuado à inspirada direção de externas, com destaque especial para a fotografia. O episódio seguiu por um bom mote, objetivo sem ser superficial ou didático, saindo um pouco da linha apenas em algumas sequências que se alongaram sem necessidade – como o momento em que os pequenos Zeca (Xande Valois) e Ruy (João Gabriel Cardoso) são encontrados inconscientes pelo índio Ashaninka (Benki Piyãko), após quase morrerem afogados no rio. O elenco tampouco deixa a desejar, com atuações pontuais de Maria Fernanda Cândido (Joyce), Humberto Martins (Eurico), Lília Cabral (Silvana) e Rodrigo Lombardi (Caio).

De fato, A Força do Querer cumpriu seu papel enquanto novela debutante: fez jus ao padrão Globo de qualidade – tão desrespeitado por produções recentes da casa -, ostentou qualidades, mostrou-se promissora e tudo o mais. Ainda assim, faltou aquele boom que surpreendesse a audiência, que desse sabor de inesperado, de novidade (que não o programa em si), e fizesse o espectador pensar ao final do capítulo, diante dos créditos em ascenção: “essa novela eu não posso perder”.

No tocante ao mais, o quadro é bastante favorável. A Força do Querer tem todos os elementos para ser uma novela boa, ótima, ou mesmo (Deus queira que não) ruim. Só depende de Glória Perez saber administrar o potencial de sua sinopse sem se perder, evitando assim repetir os equívocos de Salve Jorge (2012). Aguardemos o que virá.