Início > Posts > Sete novelas que (quase) viraram série e você não sabia

29 de março de 2017 às 11:08

Sete novelas que (quase) viraram série e você não sabia

Sete novelas que (quase) viraram série e você não sabia

15 anos atrás, pouca gente acreditava que folhetins latino-americanos poderiam render séries de sucesso nos Estados Unidos. Foi a atriz e produtora Salma Hayek a responsável por abrir um precedente nesse sentido, através da criação de Ugly Betty.

Adaptação completamente livre da novela colombiana Yo Soy Betty, la Fea (Betty, a Feia), o programa foi recordista de popularidade a seu tempo e durou quatro temporadas, produzidas entre 2006 e 2010. O sucesso de Ugly Betty provocou um boom de interesse dos showrunners da terra do Tio Sam pelos melodramas castelhanos como base de inspiração para suas produções – em projetos que, em sua maioria, sequer chegaram a sair do papel.

No especial anterior, falamos a respeito das séries americanas que renderam remakes de sucesso na América Latina em formato de telenovela. Agora, vejamos os exemplos que trilharam (ou ao menos tentaram) o caminho inverso.

JOANA, A VIRGEM

O folhetim escrito por Perla Farías em 2002 foi um hit na Venezuela, seu país natal, e acabou atingindo um êxito internacional que há tempos a dramaturgia dali não via, sendo exportado para nações inimagináveis. Uma delas foi o Brasil, onde a trama fez relativo sucesso em sua exibição pela Rede Record.

Em 2014, a produtora executiva Jennie Snyder Urman recordou esse sucesso de pouco mais de uma década para produzir Jane, the Virgin, uma versão bastante moderninha da conservadora trama original, e que acabou se revelando toda uma homenagem aos imigrantes latinos que residem nos Estados Unidos. Bem recebida pela audiência e pela crítica especializada, a atração já completou três temporadas e foi renovada para uma quarta, a qual deve estrear em outubro deste ano na TV americana.

A premissa da série é praticamente a mesma da novela: a heroína é Joana Perez / Jane Alba (Daniela Alvarado / Gina Rodriguez), uma jovem engravida sendo virgem graças a uma inseminação artificial realizada por engano e, de quebra, acaba se apaixonando pelo pai da criança, Maurício de la Vega / Rafael Solano (Ricardo Álamo / Justin Baldoni). A diferença está na maneira de contar: Jane, the Virgin tem pitadas de humor e ironia, com direito até a um pai galã de novela mexicana para a protagonista – papel do astro latino Jaime Camil, famoso pela presença em folhetins como A Feia Mais Bela e Por Ela Sou Eva.

ALCANÇAR UMA ESTRELA

Embora não seja muito lembrada nos dias atuais, Alcançar Uma Estrela foi um fenômeno de popularidade entre os jovens latinos da década de 1990, quando foi concebida pelas mãos do produtor mexicano Luis del Llano. A história musical, que chegou a ser exibida no Brasil pelo SBT, girava em torno de Lorena Gaytán (Mariana Garza), adolescente “patinho feio” que conseguia a façanha de conquistar o amor do cobiçado popstar Eduardo Casablanca (Eduardo Capetillo), de quem é fã número um, e ainda se tornar uma cantora de sucesso.

De olho no sucesso das antigas, a Nickelodeon fechou parceria em 2012 com a Televisa para produzir Hollywood Heights (Nas Alturas de Hollywood), uma série de 80 episódios que transpôs para os dias atuais a história mexicana noventista. Desta vez, a figura central foi Loren Tate (Brittany Underwood), garota tímida que ganhava um concurso de composições apadrinhado pelo cantor do momento, Eddie Duran (Cody Longo), e “de brinde” também levava o coração do bonitão.

Inédita no Brasil, Hollywood Heights chegou a ser exibida dublada em espanhol pela MTV castelhana, onde ganhou justamente o título de – adivinhem – Alcanzar Una Estrella.

LALOLA

Produzida em 2007, a comédia romântica argentina foi sucesso em vários países – inclusive no Brasil, onde foi ao ar pelo SBT – narrando as desventuras de um homem machista, Lalo (Juan Gil Navarro), que, graças ao feitiço de uma ex-namorada vingativa, transformava-se em uma mulher, Lola (Carla Peterson). A trama acabou se tornando uma espécie de Betty, a Feia dos anos 2000, com versões em países como Espanha, Chile, Portugal e Rússia.

Em 2009, provavelmente inspirado pelo boom de Ugly Betty na TV americana, o produtor Kevin Falls (de séries como The West Wing e Minority Report) desenvolveu o projeto de uma versão estadunidense de Lalola, batizada sugestivamente de Eva Adams.

Coube à atriz Rhea Sheeron, a Kim Wexler de Better Call Saul, interpretar a personagem-título do programa, versão feminina do conquistador empedernido Adam Evanston (Will Arnett, Desventuras em Série). Já o grande amor da heroína foi vivido por ninguém menos que James Van Der Beek, o eterno protagonista de Dawson’s Creek.

A princípio tido como um projeto promissor, Eva Adams não saiu do papel porque o piloto foi reprovado pela rede ABC, que iria transmitir a série. Apesar disso, você pode conferir o episódio inicial (e único) da atração na íntegra, clicando aqui.

REBELDE

Outro projeto criado na empolgação da era Ugly Betty, mas que também acabou não vingando. A ideia de produzir uma versão americana de Rebelde partiu da atriz e cantora Jennifer Lopez (à direita), que em 2009 adquiriu os direitos da novela argentina Rebelde Way – versão original do famoso folhetim da Televisa – para refilmá-la através da Nuyorican Productions, sua produtora em parceria com Simon Fields.

A trama em questão ganhou o título provisório de Rebel’s Day e já tinha até roteirista definido: Duane Adler, que assinou os filmes da franquia Ela Dança, Eu Danço. No entanto, até hoje não se sabe exatamente por quê, a ideia acabou engavetada sem sequer ter seu piloto filmado para avaliação pelo canal Fox, que iria transmitir a série nos Estados Unidos. Uma pena, né?

RUBI

Uma das novelas mexicanas mais famosas dos últimos 15 anos, Rubi também despertou a atenção dos showrunners estadunidenses, em especial de dois deles: Lisa Loomer (Hearts Afire) e Michael Garcia (Devious Maids), que ficaram responsáveis por produzir, em 2012, a série homônima inspirada no dramalhão latino.

O roteiro seria assinado pela própria Lisa e a produção ficaria a cargo da 20th Century Fox, em parceria com a Televisa, detentora do argumento original. A empolgação com o projeto, porém, logo foi se esvaindo e a Rubi estadunidense acabou indo parar nos arquivos de pré-produção, de onde infelizmente não deve mais sair…

O REBU

No longínquo ano de 1974, o autor teatral Bráulio Pedroso causou frisson na televisão brasileira com sua ousada novela O Rebu, que girava em torno da investigação de um assassinato cometido em uma festa da alta sociedade. Em 2014, a Rede Globo resolveu investir em um remake bastante atualizado – e alterado – da trama original, que infelizmente não obteve o mesmo sucesso.

Apesar disso, o formato da nova O Rebu acabou chamando a atenção dos produtores norte-americanos Josh Schwartz e Stephanie Savage, responsáveis por sucessos como The O.C. e Gossip Girl. Mais do que depressa, a dupla entrou em contato com a Globo para adquirir os direitos da história, que iria se transformar num seriado intitulado The Party (A Festa).

No entanto, ao que parece as negociações da Globo com o canal ABC não avançaram, culminando no cancelamento do projeto. Informações jamais confirmadas – mas nem por isso necessariamente falsas – dão conta de que foi a própria Globo quem barrou o remake americano, uma vez que a ABC não aceitou a exigência da emissora brasileira de participar do projeto na qualidade de co-produtora.

FLORIBELLA

A novelinha infantil estrelada por Juliana Silveira, que fez sucesso na Band em 2005, para quem não sabe, é uma adaptação da trama argentina Floricienta, assinada pela mesma criadora de Chiquititas e Rebelde.

O sucesso do formato portenho acabou inspirando diversas versões, não só no Brasil, mas também em Portugal, Colômbia, Chile e México. Relembrando esse êxito, o canal Discovery Kids anunciou em 2015 a produção de uma série em desenho animado inspirada em Floricienta.

Batizada de Floricienta Animada, a atração seria produzida em parceria por Cris Morena, produtora da novela argentina, e o cineasta Juan José Campanella, que ganhou o Oscar 2012 de Melhor Filme Estrangeiro com seu longa O Segredo dos Seus Olhos. A protagonista, Flor, desta vez seria uma adolescente, mas teria uma rotina muito parecida à da heroína original, trabalhando como babá dos cinco herdeiros mais jovens da família alemã Fritzenwalden.

Floricienta Animada deveria ter saído do papel em 2016, mas acabou adiada em função de algumas problemas de agenda dos envolvidos no projeto. Como não houve um cancelamento oficial, porém, a animação ainda pode ser produzida pelo Discovery, quem sabe este ano ainda.